Pesquisadores Americanos tentam proibir o uso de protetores de berço

“The risk for suffocation is real. The benefits are not,”

(“O risco de asfixia é real. Os benefícios não”)

 

Num post anterior, já manifestei meu medo com o uso dos protetores de berço acolchoados, e deixei as recomendações oficiais para as mamãe. Mas eu sei que muitas não deram bola, não acreditaram, ou simplesmente acharam um exagero a recomendação de não se utilizar destes acessórios tão bonitinho (e tão perigosos!).

Pois bem, dia 24 de novembro, alguns pesquisadores americanos publicaram um artigo mostrando com dados estatísticos o risco que seu bebê corre ao usar estes protetores.

Um lembrete que sempre falo aos pais dos meus pacientes, aos amigos, ou a quem quer que converse comigo: a estatística pode parecer muito baixa, mas se seu filho fizer parte dela, pra sua família será 100%. Então, não corra riscos! Proteja seu filho!

Abaixo traduzi o texto publicado na News Health sobre o artigo.

(tradução livre)

Imagem da campanha americana de prevenção a morte súbita
Imagem da campanha americana de prevenção a morte súbita

Terca-feira 24 de novembro, 2015 (HealthDay News) –
Os óbitos infantis ligados ao uso de protetores acolchoados de berço tiveram um pico nos últimos anos nos Estados Unidos, levando os pesquisadores a tentar proibir a venda deste acessório.

Mortes relacionadas ao uso de protetores de berço triplicaram de 2006 a 2012, em comparação a períodos semelhantes nos últimos 25 anos.
“O risco de asfixia é real. Os benefícios não são”, disse o Dr. Bradley Thach, professor emérito de pediatria da Washington University School of Medicine, em St. Louis.

“É um problema que tem sido objeto de discussão há algum tempo”, disse Thach . “A diferença agora é que, com estes resultados encontrados, estamos tentando, junto a Consumer Product Safety Commission dos EUA (CPSC) proibir completamente o uso destes protetores”.

Os dados mostram que eles são perigosos, disse Thach. O rosto de um bebê pode ficar preso contra as almofadas do protetor, ou entre o protetor e o colchão, bloqueando o nariz e a boca do bebê, ressaltou.

“A respiração do bebê pode ficar completamente bloqueada, ou o bebê acabar respirando o mesmo ar repetidas vezes”, disse ele. “Respirar o mesmo ar, significa que a cada respiração o ar fica cada vez mais empobrecido de oxigênio, até que finalmente o bebê sufoca”.

“Alguns pais pensam que este acessório protege os bebês de bater a cabeça contra as grades do berço, mas nós achamos que, se e quando isso acontece, o resultado é apenas uma contusão mínima”, disse Thach. “Os protetores acolchoados também são projetados para impedir que ocorra o aprisionamento dos braços e pernas, o que pode ser feito de forma mais segura com os protetores de malha/tela” (já citados no meu post anterior).

Thach e seus colegas publicaram suas descobertas em 24 de novembro edição do The Journal of Pediatrics.

O Instituto Nacional de Saúde Americano e a Academia Americana de Pediatria também se manifestaram contra o uso dos protetores de berço acolchoadas, de acordo com a pesquisa.

Alguns especialistas acreditam que outros objetos, tais como edredons, cobertores, travesseiros e brinquedos representam um risco ainda maior para a Síndrome da Morte Súbita (SMS) .

De qualquer maneira, não há regulamentações federais que controlem os protetores de berço acolchoados , exceto por uma norma de 2012 que limita a sua espessura.

O estudo avalia estatísticas do CPSC sobre mortes relacionadas ao protetores de berço nos Estados Unidos entre 1985 e 2012, e lesões entre 1990 e 2012.

O estudo demonstrou que 48 crianças morreram de asfixia relacionada ao uso de protetores acolchoados, enquanto 146 bebês tiveram lesões, como quase asfixia, estrangulamento ou aprisionamento.

Mais da metade das mortes (32) seriam evitáveis na ausência dos protetores, disseram os pesquisadores. Na maioria dos casos, os protetores foram responsabilizados pelas mortes, apesar da presença de outros objectos.

A equipe do estudo também descobriu que as 23 mortes notificadas pela Comissão entre 2006 e 2012 representavam quase o triplo da média (8) relatados nos outros períodos semelhantes (de 7 anos) entre 1985-2006.

Um outra revisão de dados, coletados entre 2008 e 2011, pelo Centro Nacional para a Avaliação e Prevenção de Mortes em Crianças identificou mais 32 mortes relacionadas aos protetores, em 37 estados americanos, a maioria dos quais não tinham sido citados pela CPSC. Isso aumentou para 77 o número de mortes ligadas a protetores de berços acolchoados (nos EUA), e sugeriu que o número real é muito maior, disseram os autores.

Thach disse que a razão para este aumento das mortes permanece incerto, embora o aumento da notificação de casos pode ser uma das causas.

“Achamos que essa conversa sobre protetores, que já se arrasta por muito tempo, precisa chegar a uma conclusão”, acrescentou. “E essa conclusão deve ser a eliminação deles”.

 

Bom espero que este estudo ganhe a repercussão que merece e que a gente consiga cada vez mais proteger os bebês de forma adequada.