Cuidar do filho dos outros é muito mais fácil!

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Olá menias,

Hoje não estou aqui pra dar nenhuma dica, estou aqui para desabafar!
Há umas 4 semanas comecei a introdução alimentar (desmame) do Otávio, até então ele estava em aleitamento materno exclusivo (AME). Ele já tinha usado mamadeira (com leite materno) algumas vezes quando era bem menor (uma vez para eu ir ao cinema com o maridão e umas 2-3x para eu poder dormir um pouco).
Começamos com as frutas e foi relativamente fácil, ele parecia que gostava, chegou a comer 1 banana inteira. Era ainda mais fácil, quando outra pessoa, que não eu, dava pra ele. Fiquei feliz, pois logo iria voltar a trabalhar.
Então progredimos, e há 2 semanas introduzi a papa salgada (que tem sal apenas no nome). Nos primeiros dias estava difícil, mas pensei: “tudo bem, é assim mesmo, ele vai se adaptar”. Mas as coisas não melhoravam, nem mesmo água queria, tentei até suco, mas ele só aceitava na seringa…até a aceitação das frutas diminuiu…

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O dia de retornar ao trabalho no hospital chegou e tinha que ir, ele comendo ou não. Deixei meu leite congelado e expliquei toda rotina pra minha mãe, que iria ficar com ele. Eu estava tranquila, afinal seriam apenas 6 horas e não seriam dias seguidos. Além disso, meu marido chegaria cedo e poderia ajudar minha mãe. Tudo correu aparentemente bem, o Otávio aceitou bem a fruta e as papas (almoço e janta) minha disse que teve dificuldade, mas ele comeu, fiquei feliz quando ela me disse isso pelo telefone, tudo parecia fácil (exatamente como eu explico pras mães no consultório ).

Quando estava no caminho de casa, meu marido liga e diz que o pequeno estava vomitando muito, achei que era exagero dele, e fiquei tranquila. Até que cheguei em casa e o Otávio vomitou mais 3 vezes. Achei que ele estava doente e logo tudo se resolveria. No dia seguinte ele não teve mais nada ( será que ele estava mesmo doente, ou vomitou porque, descobri depois, minha mãe o obrigou a comer e forçou?).
Nos dias seguintes ele continuou aceitando bem a fruta amassada, mas rejeitando a papa. Continuei com esperança, até ontem.
Ontem fui novamente trabalhar, mas desta vez pedi pra minha mãe não forçá-lo a comer, apenas oferecer, e se precisasse complementasse com leite na seringa (já que ele não pega na mamadeira, no copo ou na colher…).

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Durante  meu trabalho minha mãe me ligou dizendo que ele estava com fome (chorando), mas não estava aceitando nada, nem o leite. Usei com ela o mesmo discurso que tenho com as mães dos meus pacientes:” fica calma, na hora que a fome apertar, pelo menos o leite ele vai aceitar”, e continuei meus atendimentos.
Quando acabou meu turno, liguei para casa, para avisar que logo chegafia, daí então tanto minha mãe, como minha funcionária estavam enlouquecidas com o choro do Otávio, minha mãe dizia que ouvia a barriga dele roncar, ele chorava, mas não aceitava NADA!

Vim pra casa o mais rápido que pude, sorte que não tinha trânsito, quando cheguei ele tinha dormido após chorar muito! Deixei ele dormir um pouco, aproveitei pra almoçar e logo em seguida pegá-lo pra amamentar.
Tadinho, quando me viu ficou tão feliz, e mamou MUITO!
E agora, estou sofrendo, porque tenho que ir trabalhar (não cogito deixar minha profissão), mas morro de pena dele passar fome. Sei que logo ele vai aceitar comer e tomar meu leite de outra forma, mas até isso acontecer fico com muita “dózinha” dele…
Fico repetindo pra mim mesma tudo que eu diria se esta história fosse contada por alguma mãe de paciente meu, e percebo como é mais fácil orientar quando a criança não é seu filho… Todas as teorias e dicas podem funcionar bem e parecem muito mais fácil quando não se está vivendo aquele problema. Porque quando acontece com a gente, por mais que saibamos como é, a ansiedade e todos os outros sentimentos e emoções que tomam conta de nós atrapalham demais! Ainda bem que tenho um pediatra para cuidar dos meninos e amigas pediatras para me ouvir e me trazer de volta pra racionalidade.

Como é difícil ser mãe…mas também, como é bom ser mãe!