Amamentar é fácil?

Vou começar este post com uma resposta bem objetiva: Não, amamentar não é fácil!

 

Acho que todas pessoas sabem, ou fazem alguma idéia, de que amamentar garante uma série de benefícios e proteção para a mãe e para o bebê, mas é preciso saber também que amamentar não é fácil e nem automático. O leite materno não é produzido apenas nas mamas, mas também na cabeça. Para eu uma mulher consiga amamentar e ser bem-sucedida neste ato ela precisa de ajuda pois muitos fatores estão envolvidos. A OMS e o Ministério da Saúde recomendam a amamentação exclusiva até o sexto e mês e continuada até dois anos ou mais, mas a porcentagem de mães que conseguem esta amamentação ainda é muito pequena. No Brasil a média de aleitamento materno exclusivo é de cerca de 54 dias, muito pouco quando pensamos que a meta seriade 180 dias (6 meses).

Toda mulher tem potencial para amamentar, mas ela precia de apoio da família, dos profissionais de saúde e da sociedade, ela precisa entender os mecanismos envolvidos e ter apoio para que os fatores psicológicos não atrapalhem o sucesso desta jornada. A amamentação não é instintiva nos mamíferos humanos como é nos outros mamíferos. Era mais instintivo na época das nossas avós, quando uma mulher passava sua experiência e ensinava a outra, já hoje em dia, diversas mulheres que se tornam mães, nunca viram outra mulher amamentando.  ser cuidada para poder cuidarÉ por isso que, atualmente, é fundamental que a mulher receba apoio da equipe de profissionais de saúde que a cercam neste momento, desde o obstetra durante a gestação, as enfermeiras que a atendem no pré natal e nas maternidades, do pediatra e de todos os outros que estiverem envolvidos. Estes profissionais têm o dever de orientar os benefícios da mamentação, dar suporte quando identificar um fator de risco para o sucesso do aleitamento materno, orientando técnica adequada de amamentação, (pega do bebê, como segurar, onde mudar, etc), possíveis técnicas para aumento da produção, técnica de ordenha e esclarecendo todas as dúvidas que a mãe tenha em relação a este assunto desde a gravidez. Eu sei que muitas vezes não temos uma equipe de profissionais tão bem esclarecida neste assunto, e por isso sempre oreinto as mães a procurar ajuda especializada e a fazerem uma consulta pediátrica ainda durante a gestação. No meu consultório sempre recebo gestantes para o que chamo de “consulta zero”, uma consulta onde além de me conhecer posso ajudar a mãe a começar a se preparar para esta amamentação (principalmente com leitura e esclarecimentos).

Com relação a família, o apoio vem na forma de companhia e auxílio no que ela estiver precisando.  Não canso de dizer as recém mamães: durmam sempre que puderem! Quando as mães estão descansadas aumentam sua produção de leite, mas para poderem descansar elas precisam de apoio em casa, alguém que as ajude com a casa, outros filhos e até mesmo com o seu bebê que acabou de nascer e muitas vezes ainda não dormem bem. Sempre aconselho as mamães a envolverem os pais e avós no trabalho da troca defraldas, banho e arrotar do bebê, para que ela descanse e possa amamentar seu bebê, afinal está função é exculsiva da mãe.

Já a sociedade é muito importante no sentido de apoiar e permitir que esta mãe tenha a liberdade de amamentar seu filho onde e quando quiser, seja na frente de todos numa fila de banco ou restairante, seja mais reclusa em uma sala (quando a mulher assim optar). É importante lembrar também, que muitas vezes palpites como: “mas como ele é pequenininho…, “você tem certeza que ele não está com fome…” podem atrapalhar bastante o sucesso da amamentação, pois interferem muito na auto-estima desta mulher e colocam em dúvida se o que ela está fazendo é o melhor para seu bebê.

Enfim, apesar da mãe e o bebê serem os protagonistas da amamentação, a  responsabilidade pelo sucesso ou não é de todos nós (profissionais de saúde e sociedade), que não preparamos essas mulheres e permitimos que ela não recebesse o apoio necessári oe além disso, fosse bombardeada por informações erradas e publicidade de leites artificiais (como se eles fossem melhores que o leite materno), além de falta de orientação de como manter esta amamentação de forma leve e satisfatória para a mulher e para o bebê.

A amamentação é algo que não deve ser forçado. O profissional deve ouvir essa mulher, ela é a protagonista, ela é que está sentindo a dor, e a gente deve respeitá-la profundamente sem nenhum juízo moral. A gente deve apoiá-la nessa decisão e respeitar os limites dela. Se ela não vai amamentar, recomendamos que ela, quando está dando a mamadeira, abrace muito esse bebê, tenha muito contato pele a pele com seu filho, que o pegue no colo, que o olhe nos olhos durante esse momento.

Mas se você teve todo apoio e orientação e mesmo assim não conseguiu ou quis amamentar seu filhos, não se sinta culpada, esta decisao cabe apenas a você: MÃE! A Amamentação envolve muitos fatores não apenas orgânicos, mas também psicossociais e relações interpessoais. Há uma grande complexidade de coisas que se relaciona à amamentação.